O que é a música?
No sentido amplo a música é a organização temporal de sons e silêncios
(pausas). No sentido restrito, é a arte de coordenar e transmitir efeitos
sonoros, harmoniosos e esteticamente válidos, podendo ser transmitida através
da voz ou de instrumentos musicais. A música é uma manifestação artística e
cultural de um povo, numa determinada época ou região e pode ser considerada
como um veículo para expressar os sentimentos.A música evoluiu através dos séculos, resultando numa grande variedade
de géneros musicais, entre eles, a música religiosa, a erudita ou clássica, a
popular e a tradicional ou folclórica... Cada um dos géneros musicais possuem
uma série de subgéneros e estilos.Estudos
indicam que a música é registada na
parte do cérebro que normalmente é estimulado pelas emoções, contornando os
centros cerebrais que lidam com a inteligência e razão. Ira Altschuler, um dos
pesquisadores, explica que “Música, que não depende das funções superiores do
cérebro para franquear entrada ao organismo, ainda pode excitar por meio do
tálamo – o posto de intercomunicação de todas as emoções, sensações e
sentimentos. Uma vez que um estímulo tenha sido capaz de alcançar o tálamo, o
cérebro superior é automaticamente invadido”. As frequências são analisadas de
forma básica já na cóclea e enviadas diretamente para o tronco cerebral, a
região responsável pelas funções mais básicas da sobrevivência do corpo humano.
Ali são classificadas e processadas e os estímulos assim criados são
distribuídos para diversos centros cerebrais, inclusive o centro responsável
pela interpretação do som.
Qual a influência da música no comportamento?
Inúmeras pesquisas
confirmam a influência da música no desenvolvimento das crianças. Uma pesquisa feita
pela Universidade de Toronto prova que os bebés reagem de maneira diferente
quando ouvem diferentes tipos de música e tendem a permanecer mais calmos
quando ouvem uma melodia serena. Pelo contrário, músicas com um ritmo mais
acelerado tendem a alertar os bebés. As canções de embalar são um bom exemplo
desta situação. A mesma pesquisa ainda sugere que os bebés já nascem com
preferências musicais definidas. Eles sorriem quando escutam certas notas
musicais e irritam-se com outras. Apesar do hemisfério direito do cérebro ter
sido considerado como o hemisfério musical, ainda não se sabe onde está
localizada essa preferência musical.
Dr. Mauro Muszkat, coordenador do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico
Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) afirma que “o cérebro
humano tem uma predisposição para reagir à música. Somos essencialmente
musicais: no ritmo de andar, nos batimentos cardíacos e na fala - que é a
música das palavras. A música é importante para o neurodesenvolvimento da criança
e das suas funções cognitivas”.
Qual a influência da música nos jovens?
Como todos sabemos, a música sempre foi um canal para
expressar ideias e opiniões. Na adolescência, o gosto musical já
não se baseia na cultura do País, mas sim no grupo que os media apresentam e
“catalogam” como bom. Os grupos formam-se através da afinidade de gostos:
pensam da mesma forma, saem para os mesmos lugares, vestem-se com as roupas das
mesmas lojas, etc. E onde entra a música nisso?
Os ídolos tornam-se a referência dos jovens,
influenciando no modo de agir, pensar, vestir e até com quem vai andar, assim
como as letras das músicas. Muitas vezes esta reação é involuntária, as pessoas
não têm noção de que estão a ser influenciadas. Esta situação é mais evidente
na adolescência pois é a época em que os jovens procuram a sua identidade,
formam o seu carácter.
Quando o jovem tem dificuldade em encontrar essa
individualidade, a saída é, muitas vezes, encontrada na música, espelhando-se
em cantores (as) que admira. Esta fixação pode ser negativa: se o cantor pensa
e age de uma forma desequilibrada e errada, pode levar o fã a fazer o mesmo, ou
se a música incentiva a agir de uma forma errada (por exemplo o uso de drogas).
A música pode
ter influência na educação?
Segundo pesquisadores de Harvard EUA as pessoas que estudam música
apresentam maior quantidade de massa cinzenta principalmente nas regiões
responsáveis pela audição, visão e controle motor, pois a prática musical faz
com que o cérebro funcione em “rede”. Isso leva-nos a crer, que crianças que
possuem a disciplina de música no currículo escolar têm maiores possibilidades
de desenvolverem o raciocínio lógico, a interpretação, concentração e
consequentemente, ter um melhor rendimento escolar.
A seguinte experiência, realizada na Universidade Federal de São Paulo
(UNIFESP) em parceria com o instituto ABCD, com crianças entre os 8 e os 10
anos que apresentam baixos resultados escolares, principalmente que apresentam
dificuldades de leitura, prova como a música ajuda a evitar o fracasso escolar.
Os psicólogos acreditam que é nessa faixa etária que os efeitos da música são
eficazes na educação.
Esta experiência ajuda na identificação e tratamento de distúrbios de
aprendizagem, e encontrou evidências de que o ensino de música tem efeito
positivo no desempenho escolar de crianças, além de melhorar suas habilidades
de leitura.
Enquanto que as outras experiências sobre este assunto restringiam-se a
teorias, esta foi testada em sala de aula. Segundo o pesquisador Hugo Cogo Moreira,
autor da pesquisa: “(…) a falta de evidências levou-me a encabeçar o primeiro
estudo clínico sobre o assunto."
Moreira
selecionou 10 escolas de São Paulo. Em cada uma delas, participaram na
experiência 27 estudantes. Esta amostra foi dividida em dois grupos: o
primeiro, chamado intervenção, recebeu aulas de música três vezes por semana
durante cinco meses; o segundo, chamado controle, não recebeu nenhum tipo de
atenção especial (tendo apenas como função servir de base para
comparação).
As aulas do primeiro
grupo foram leccionadas por dois professores, assegurando que as lições não
seriam interrompidas: quando um professor faltasse havia outro substituto. É
importante realçar que os docentes foram avaliados a cada 15 dias pela equipa
da UNIFESP para garantir que as aulas seguiam os mesmos padrões em todas as
escolas, evitando assim que um determinado grupo de alunos fosse privilegiado
ou prejudicado involuntariamente. Na sala, as crianças foram estimuladas a
compor, cantar, improvisar e fazer exercícios rítmicos utilizando uma flauta
doce.
Acabada a
investigação, foram feitas duas análises dos dados. Na primeira, as crianças
que tiveram aulas de música foram comparadas àquelas que estavam nas
escolas-intervenção mas que não compareceram a nenhuma aula. Os alunos que
assistiram a todas as aulas foram capazes de ler corretamente, em média, 14
palavras a mais por minuto, demonstrando maior fluência. Além disso, foi constatado que, a cada bimestre, a nota final na disciplina de português dessas
mesmas crianças aumentou em média 0,77 pontos, o que significa mais de 3 pontos
ao fim de um ano letivo. Em matemática, o crescimento registado foi um pouco
inferior, mas igualmente significativo: 0,49 pontos a cada bimestre, ou 1,9
pontos ao fim do ano.
Na segunda
análise, o estudo comparou as crianças das escolas-intervenção com as das
unidades-controle. Os resultados foram menos expressivos do que os da primeira
análise, mas apontaram igualmente para uma melhoria no desempenho escolar. As
notas de matemática e de português subiram, respectivamente, 0,25 e 0,21 pontos
por bimestre, ou 1 e 0,8 pontos até o fim do ano lectivo. Houve, ainda, uma
melhoria no que toca à leitura: as crianças do primeiro grupo leram
correctamente 2,5 palavras a mais por minuto.
Existe alguma relação
entre a música, a atracção e o afecto?
A música auxilia no equilíbrio emocional das pessoas, principalmente
dos adolescentes que estão sempre em conflitos com os seus sentimentos, fazendo
com que se acalmem com a música, canalizem energia por meio da música (dançar,
cantar, ouvir, tocar, etc.) e procurem respostas para os seus sentimentos, pois
inúmeras músicas que os adolescentes ouvem, retratam as suas vivências diárias
e faz com que estes se identifiquem não apenas com a letra (que muitas vezes
relata as suas paixões, desilusões), mas também com o ritmo (que reflete o nosso
ritmo interno como a batida do coração, a respiração, etc.).
Numa pesquisa realizada na Universidade de Toronto,
que já referimos anteriormente, Sandra
Trehub comprovou algo que muitos pais e educadores já imaginavam: os bebés
tendem a permanecer mais calmos quando expostos a uma melodia serena e,
dependendo da aceleração do andamento da música, ficam mais alertas.
O facto de, quando agarramos num bebé, o colocarmos
do lado esquerdo, junto ao peito, o que o deixa mais calmo, tem uma explicação
científica: nessa posição ele sente as batidas do coração de quem o está a
segurar, o que remete ao que ele ouvia ainda no útero, isto é, o coração da
mãe. Além disso, a eficácia das canções de embalar é a prova de que a música e o
afeto se unem. Muitas vezes, mesmo já adultos, as nossas melhores lembranças de
acolhimento e carinho dizem respeito às nossas memórias musicais.
Zatorre, da Universidade de McGill (Canadá) e Blood, do
Massachusetts General Hospital (EUA), desenvolveram uma pesquisa que procurou
analisar os efeitos no cérebro de pessoas que ouviam músicas, as quais, segundo
as mesmas, lhes causavam profunda emoção. Verificou-se que ao ouvir estas
músicas, as pessoas acionaram exatamente as mesmas partes do cérebro que têm
relação com estados de euforia. Segundo esses autores, isso confere à música
uma grande relevância biológica, relacionando-a aos circuitos cerebrais ligados
ao prazer.
A música pode ter fins terapêuticos?
Para muitas pessoas a música é apenas arte. Atualmente ela encontra-se
em
diversas utilidades não só como arte, mas também como recurso educacional ou terapêutico (musicoterapia). Além disso, tem presença em diversas atividades, como festas, rituais religiosos e funerais.
dentro das suas casas. Além de problemas psicológicos, esse comportamento pode levar ao surgimento de problemas de saúde ou agravar problemas já debilitados. A música ajuda a evitar o isolamento. Além disso, auxilia nos tratamentos e no combate a outros males como derrames cerebrais (referidos anteriormente), epilepsia, Alzheimer, Parkinson, autismo, transtornos mentais, depressão, insónia e outros fatores preocupantes na terceira idade.
diversas utilidades não só como arte, mas também como recurso educacional ou terapêutico (musicoterapia). Além disso, tem presença em diversas atividades, como festas, rituais religiosos e funerais.
dentro das suas casas. Além de problemas psicológicos, esse comportamento pode levar ao surgimento de problemas de saúde ou agravar problemas já debilitados. A música ajuda a evitar o isolamento. Além disso, auxilia nos tratamentos e no combate a outros males como derrames cerebrais (referidos anteriormente), epilepsia, Alzheimer, Parkinson, autismo, transtornos mentais, depressão, insónia e outros fatores preocupantes na terceira idade.
Dr. Mauro Muszkat, um prestigiado neuropediatra concluiu que “a música
tem ajudado na recuperação de doentes e até a diminuir a sensação de dor dos
pacientes." Ele também pesquisou as alterações elétricas no cérebro de
pacientes ao ouvirem música e descobriu que “um paciente que sofreu algum dano
cerebral pode recuperar algumas dessas funções se for estimulado com a música”.
Em algumas maternidades obstetras usam a música para estimular o
trabalho de parto, aumentando as contrações uterinas. O que está por trás disso
é o ritmo do próprio corpo humano. “O pulso sanguíneo, o movimentos dos
músculos, o andar e a respiração funcionam como uma espécie de base para o
tempo musical (…) “
O médico e músico Augusto Weber, diretor da Clínica
e Centro de Estudos de Acupuntura do Paraná afirmou "A estimulação
vibroacústica, feita nos pontos da acupuntura, tem inúmeros efeitos no corpo
humano, como o alívio de dores, efeitos regenerativos, diminuição da ansiedade
e do stress”. A aplicação da música para fins terapêuticos têm então bastantes
utilizações, dependendo da doença do paciente.
Músicas
em tom menor e ritmos lentos diminuem a capacidade de trabalho muscular.
Acordes ininterruptos baixam a pressão sanguínea e acordes secos e repetidos
elevam-na. Ritmos irregulares do jazz e rock causam a perda do ritmo normal de
batidas cardíacas. O rock eleva a pressão do sangue, portanto é nocivo aos
hipertensos e, como as pulsações cardíacas afetam o estado emocional, esse
estilo provoca tensão e desarmonia espiritual. A música suave e os sons
harmoniosos são os mais indicados e podem-se tornar relaxantes, sedativos ou
estimulantes, dependendo do ritmo musical. Este relaciona-se com a pulsação
cardíaca normal de 65 a 80 batimentos por minuto. Quando o ritmo acompanha essa
pulsação, provoca uma harmonização orgânica e o ouvinte tende a acalmar-se e
relaxar.
Quando
um ritmo musical é mais lento do que os batimentos cardíacos, ocorre uma certa
ansiedade e inquietação, um desejo de acelerar o movimento da música; enquanto
que, os ritmos excessivamente rápidos provocam excitação porque aceleram as
batidas do coração.
Recentemente
foi descoberto por um grupo de neurocientistas da Universidade de Helsinki na
Finlândia, que até mesmo vítimas de derrames cerebrais podem ser beneficiados
com o uso de melodias. Ao constatarem que elas estimulam o sistema nervoso das
pessoas, eles perceberam que a música ativa várias áreas do cérebro
simultaneamente, até mesmo aquelas danificadas pelo derrame, acelerando o
processo de recuperação. A descoberta foi feita através de uma experiência
relativamente simples: depois de três meses de testes os especialistas
perceberam que a memória verbal do grupo que escutou música melhorou 60%. Já os
que escutaram livros gravados 18% e 29% dos que estavam apenas a fazer o
tratamento tradicional.
Não
houve evolução no segundo e no terceiro, mas no dos pacientes que escutaram
música regularmente houve uma melhora de 17%.
Com
resultados tão expressivos, esta experiência comprova que ouvir música no
tratamento das sequelas de um derrame cerebral pode ajudar na recuperação do
paciente e prevenir a depressão.
Na terceira idade as pessoas tendem a tornar-se mais solitárias e
isoladas
Segundo o músico terapeuta Carlos António Doro, durante as sessões, “o
paciente é orientado a restabelecer contacto consigo mesmo, resgatar sua
espontaneidade, além de trabalhar a auto-estima, a capacidade de comunicação, a
coordenação motora e a concentração”. Mesmo mais velhas, as pessoas continuam a
precisar de carinho, do toque físico e das vibrações. Esses estímulos e a
sensação de acolhimento também podem ser fornecidos pela música.
Questionário
Foram respondidos um total
de 42 questionários realizados por diferentes pessoas de diferentes idades (dos
7 aos 86 anos) e gosto musicais. Abaixo estão os resultados de perguntas
específicas feitas com o objectivo de enriquecer este trabalho.
Neste gráfico podemos
observar que 28 inquiridos afirmam que a música possui influência na sua
personalidade, 10 responderam que não e apenas 3 pessoas reponderam que talvez
possua.
Nota: Este
gráfico corresponde apenas é influência
positiva, visto que apenas constam 41 respostas. No que diz respeito á influência negativa apenas 1 pessoa
respondeu que a musica possui influência no seu comportamento.
Neste gráfico
podemos observar que o estilo musical mais escolhido foi o Pop, seguido do Rock
e da música Clássica. Nesta pergunta a resposta variou bastante: as pessoas
mais velhas tenderam a escolher estilos de música mais clássicos (Rock, Metal,
Clássica/Opera, Fado, Jazz/Blue), enquanto que, as mais novas escolheram
estilos mais actuais (Pop, também o Rock, Hip-Hop, Reggae, Samba).
Neste gráfico
podemos observar que todos os inquiridos responderam que a musica pode, ou
talvez possa ter fins educacionais, sendo que nenhum respondeu que não pode ter
fins educacionais.
Neste último
gráfico observamos que quase 100% dos inquiridos afirma que a música pode ter
fins terapêuticos. A maioria dos inquiridos respondeu que a musica ajuda em
casos de depressão e ansiedade, que ajuda a relaxar, e ainda que ajuda no
tratamento de doenças e de outros problemas.









