terça-feira, 29 de abril de 2014

O que é a música?

No sentido amplo a música é a organização temporal de sons e silêncios (pausas). No sentido restrito, é a arte de coordenar e transmitir efeitos sonoros, harmoniosos e esteticamente válidos, podendo ser transmitida através da voz ou de instrumentos musicais. A música é uma manifestação artística e cultural de um povo, numa determinada época ou região e pode ser considerada como um veículo para expressar os sentimentos.A música evoluiu através dos séculos, resultando numa grande variedade de géneros musicais, entre eles, a música religiosa, a erudita ou clássica, a popular e a tradicional ou folclórica... Cada um dos géneros musicais possuem uma série de subgéneros e estilos.Estudos indicam que a  música é registada na parte do cérebro que normalmente é estimulado pelas emoções, contornando os centros cerebrais que lidam com a inteligência e razão. Ira Altschuler, um dos pesquisadores, explica que “Música, que não depende das funções superiores do cérebro para franquear entrada ao organismo, ainda pode excitar por meio do tálamo – o posto de intercomunicação de todas as emoções, sensações e sentimentos. Uma vez que um estímulo tenha sido capaz de alcançar o tálamo, o cérebro superior é automaticamente invadido”. As frequências são analisadas de forma básica já na cóclea e enviadas diretamente para o tronco cerebral, a região responsável pelas funções mais básicas da sobrevivência do corpo humano. Ali são classificadas e processadas e os estímulos assim criados são distribuídos para diversos centros cerebrais, inclusive o centro responsável pela interpretação do som. 



Qual a influência da música no comportamento?

Inúmeras pesquisas confirmam a influência da música no desenvolvimento das crianças. Uma pesquisa feita pela Universidade de Toronto prova que os bebés reagem de maneira diferente quando ouvem diferentes tipos de música e tendem a permanecer mais calmos quando ouvem uma melodia serena. Pelo contrário, músicas com um ritmo mais acelerado tendem a alertar os bebés. As canções de embalar são um bom exemplo desta situação. A mesma pesquisa ainda sugere que os bebés já nascem com preferências musicais definidas. Eles sorriem quando escutam certas notas musicais e irritam-se com outras. Apesar do hemisfério direito do cérebro ter sido considerado como o hemisfério musical, ainda não se sabe onde está localizada essa preferência musical.

Dr. Mauro Muszkat, coordenador do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) afirma que “o cérebro humano tem uma predisposição para reagir à música. Somos essencialmente musicais: no ritmo de andar, nos batimentos cardíacos e na fala - que é a música das palavras. A música é importante para o neurodesenvolvimento da criança e das suas funções cognitivas”.
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Qual a influência da música nos jovens?

Como todos sabemos, a música sempre foi um canal para expressar ideias e opiniões. Na adolescência, o gosto musical já não se baseia na cultura do País, mas sim no grupo que os media apresentam e “catalogam” como bom. Os grupos formam-se através da afinidade de gostos: pensam da mesma forma, saem para os mesmos lugares, vestem-se com as roupas das mesmas lojas, etc. E onde entra a música nisso?
Os ídolos tornam-se a referência dos jovens, influenciando no modo de agir, pensar, vestir e até com quem vai andar, assim como as letras das músicas. Muitas vezes esta reação é involuntária, as pessoas não têm noção de que estão a ser influenciadas. Esta situação é mais evidente na adolescência pois é a época em que os jovens procuram a sua identidade, formam o seu carácter.
Quando o jovem tem dificuldade em encontrar essa individualidade, a saída é, muitas vezes, encontrada na música, espelhando-se em cantores (as) que admira. Esta fixação pode ser negativa: se o cantor pensa e age de uma forma desequilibrada e errada, pode levar o fã a fazer o mesmo, ou se a música incentiva a agir de uma forma errada (por exemplo o uso de drogas).

A música pode ter influência na educação?

Segundo pesquisadores de Harvard EUA as pessoas que estudam música apresentam maior quantidade de massa cinzenta principalmente nas regiões responsáveis pela audição, visão e controle motor, pois a prática musical faz com que o cérebro funcione em “rede”. Isso leva-nos a crer, que crianças que possuem a disciplina de música no currículo escolar têm maiores possibilidades de desenvolverem o raciocínio lógico, a interpretação, concentração e consequentemente, ter um melhor rendimento escolar.
A seguinte experiência, realizada na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) em parceria com o instituto ABCD, com crianças entre os 8 e os 10 anos que apresentam baixos resultados escolares, principalmente que apresentam dificuldades de leitura, prova como a música ajuda a evitar o fracasso escolar. Os psicólogos acreditam que é nessa faixa etária que os efeitos da música são eficazes na educação.
Esta experiência ajuda na identificação e tratamento de distúrbios de aprendizagem, e encontrou evidências de que o ensino de música tem efeito positivo no desempenho escolar de crianças, além de melhorar suas habilidades de leitura.
Enquanto que as outras experiências sobre este assunto restringiam-se a teorias, esta foi testada em sala de aula. Segundo o pesquisador Hugo Cogo Moreira, autor da pesquisa: “(…) a falta de evidências levou-me a encabeçar o primeiro estudo clínico sobre o assunto."
Moreira selecionou 10 escolas de São Paulo. Em cada uma delas, participaram na experiência 27 estudantes. Esta amostra foi dividida em dois grupos: o primeiro, chamado intervenção, recebeu aulas de música três vezes por semana durante cinco meses; o segundo, chamado controle, não recebeu nenhum tipo de atenção especial (tendo apenas como função servir de base para comparação). 
As aulas do primeiro grupo foram leccionadas por dois professores, assegurando que as lições não seriam interrompidas: quando um professor faltasse havia outro substituto. É importante realçar que os docentes foram avaliados a cada 15 dias pela equipa da UNIFESP para garantir que as aulas seguiam os mesmos padrões em todas as escolas, evitando assim que um determinado grupo de alunos fosse privilegiado ou prejudicado involuntariamente. Na sala, as crianças foram estimuladas a compor, cantar, improvisar e fazer exercícios rítmicos utilizando uma flauta doce.
Acabada a investigação, foram feitas duas análises dos dados. Na primeira, as crianças que tiveram aulas de música foram comparadas àquelas que estavam nas escolas-intervenção mas que não compareceram a nenhuma aula. Os alunos que assistiram a todas as aulas foram capazes de ler corretamente, em média, 14 palavras a mais por minuto, demonstrando maior fluência. Além disso, foi constatado que, a cada bimestre, a nota final na disciplina de português dessas mesmas crianças aumentou em média 0,77 pontos, o que significa mais de 3 pontos ao fim de um ano letivo. Em matemática, o crescimento registado foi um pouco inferior, mas igualmente significativo: 0,49 pontos a cada bimestre, ou 1,9 pontos ao fim do ano. 
Na segunda análise, o estudo comparou as crianças das escolas-intervenção com as das unidades-controle. Os resultados foram menos expressivos do que os da primeira análise, mas apontaram igualmente para uma melhoria no desempenho escolar. As notas de matemática e de português subiram, respectivamente, 0,25 e 0,21 pontos por bimestre, ou 1 e 0,8 pontos até o fim do ano lectivo. Houve, ainda, uma melhoria no que toca à leitura: as crianças do primeiro grupo leram correctamente 2,5 palavras a mais por minuto.

Existe alguma relação entre a música, a atracção e o afecto?

A música auxilia no equilíbrio emocional das pessoas, principalmente dos adolescentes que estão sempre em conflitos com os seus sentimentos, fazendo com que se acalmem com a música, canalizem energia por meio da música (dançar, cantar, ouvir, tocar, etc.) e procurem respostas para os seus sentimentos, pois inúmeras músicas que os adolescentes ouvem, retratam as suas vivências diárias e faz com que estes se identifiquem não apenas com a letra (que muitas vezes relata as suas paixões, desilusões), mas também com o ritmo (que reflete o nosso ritmo interno como a batida do coração, a respiração, etc.).
Numa pesquisa realizada na Universidade de Toronto, que já referimos anteriormente,  Sandra Trehub comprovou algo que muitos pais e educadores já imaginavam: os bebés tendem a permanecer mais calmos quando expostos a uma melodia serena e, dependendo da aceleração do andamento da música, ficam mais alertas.
O facto de, quando agarramos num bebé, o colocarmos do lado esquerdo, junto ao peito, o que o deixa mais calmo, tem uma explicação científica: nessa posição ele sente as batidas do coração de quem o está a segurar, o que remete ao que ele ouvia ainda no útero, isto é, o coração da mãe. Além disso, a eficácia das canções de embalar é a prova de que a música e o afeto se unem. Muitas vezes, mesmo já adultos, as nossas melhores lembranças de acolhimento e carinho dizem respeito às nossas memórias musicais.
Zatorre, da Universidade de McGill (Canadá) e Blood, do Massachusetts General Hospital (EUA), desenvolveram uma pesquisa que procurou analisar os efeitos no cérebro de pessoas que ouviam músicas, as quais, segundo as mesmas, lhes causavam profunda emoção. Verificou-se que ao ouvir estas músicas, as pessoas acionaram exatamente as mesmas partes do cérebro que têm relação com estados de euforia. Segundo esses autores, isso confere à música uma grande relevância biológica, relacionando-a aos circuitos cerebrais ligados ao prazer.


A música pode ter fins terapêuticos?

Para muitas pessoas a música é apenas arte. Atualmente ela encontra-se em
diversas utilidades não só como arte, mas também como recurso educacional ou terapêutico (musicoterapia). Além disso, tem presença em diversas atividades, como festas, rituais religiosos e funerais.
dentro das suas casas. Além de problemas psicológicos, esse comportamento pode levar ao surgimento de problemas de saúde ou agravar problemas já debilitados. A música ajuda a evitar o isolamento. Além disso, auxilia nos tratamentos e no combate a outros males como derrames cerebrais (referidos anteriormente), epilepsia, Alzheimer, Parkinson, autismo, transtornos mentais, depressão, insónia e outros fatores preocupantes na terceira idade.
Dr. Mauro Muszkat, um prestigiado neuropediatra concluiu que “a música tem ajudado na recuperação de doentes e até a diminuir a sensação de dor dos pacientes." Ele também pesquisou as alterações elétricas no cérebro de pacientes ao ouvirem música e descobriu que “um paciente que sofreu algum dano cerebral pode recuperar algumas dessas funções se for estimulado com a música”.
Em algumas maternidades obstetras usam a música para estimular o trabalho de parto, aumentando as contrações uterinas. O que está por trás disso é o ritmo do próprio corpo humano. “O pulso sanguíneo, o movimentos dos músculos, o andar e a respiração funcionam como uma espécie de base para o tempo musical (…) “
O médico e músico Augusto Weber, diretor da Clínica e Centro de Estudos de Acupuntura do Paraná afirmou "A estimulação vibroacústica, feita nos pontos da acupuntura, tem inúmeros efeitos no corpo humano, como o alívio de dores, efeitos regenerativos, diminuição da ansiedade e do stress”. A aplicação da música para fins terapêuticos têm então bastantes utilizações, dependendo da doença do paciente.

Músicas em tom menor e ritmos lentos diminuem a capacidade de trabalho muscular. Acordes ininterruptos baixam a pressão sanguínea e acordes secos e repetidos elevam-na. Ritmos irregulares do jazz e rock causam a perda do ritmo normal de batidas cardíacas. O rock eleva a pressão do sangue, portanto é nocivo aos hipertensos e, como as pulsações cardíacas afetam o estado emocional, esse estilo provoca tensão e desarmonia espiritual. A música suave e os sons harmoniosos são os mais indicados e podem-se tornar relaxantes, sedativos ou estimulantes, dependendo do ritmo musical. Este relaciona-se com a pulsação cardíaca normal de 65 a 80 batimentos por minuto. Quando o ritmo acompanha essa pulsação, provoca uma harmonização orgânica e o ouvinte tende a acalmar-se e relaxar.
Quando um ritmo musical é mais lento do que os batimentos cardíacos, ocorre uma certa ansiedade e inquietação, um desejo de acelerar o movimento da música; enquanto que, os ritmos excessivamente rápidos provocam excitação porque aceleram as batidas do coração.

Recentemente foi descoberto por um grupo de neurocientistas da Universidade de Helsinki na Finlândia, que até mesmo vítimas de derrames cerebrais podem ser beneficiados com o uso de melodias. Ao constatarem que elas estimulam o sistema nervoso das pessoas, eles perceberam que a música ativa várias áreas do cérebro simultaneamente, até mesmo aquelas danificadas pelo derrame, acelerando o processo de recuperação. A descoberta foi feita através de uma experiência relativamente simples: depois de três meses de testes os especialistas perceberam que a memória verbal do grupo que escutou música melhorou 60%. Já os que escutaram livros gravados 18% e 29% dos que estavam apenas a fazer o tratamento tradicional.
Não houve evolução no segundo e no terceiro, mas no dos pacientes que escutaram música regularmente houve uma melhora de 17%.
Com resultados tão expressivos, esta experiência comprova que ouvir música no tratamento das sequelas de um derrame cerebral pode ajudar na recuperação do paciente e prevenir a depressão.

·       A música como fim terapêutico na terceira idade


Na terceira idade as pessoas tendem a tornar-se mais solitárias e isoladas
Segundo o músico terapeuta Carlos António Doro, durante as sessões, “o paciente é orientado a restabelecer contacto consigo mesmo, resgatar sua espontaneidade, além de trabalhar a auto-estima, a capacidade de comunicação, a coordenação motora e a concentração”. Mesmo mais velhas, as pessoas continuam a precisar de carinho, do toque físico e das vibrações. Esses estímulos e a sensação de acolhimento também podem ser fornecidos pela música.



Questionário

Foram respondidos um total de 42 questionários realizados por diferentes pessoas de diferentes idades (dos 7 aos 86 anos) e gosto musicais. Abaixo estão os resultados de perguntas específicas feitas com o objectivo de enriquecer este trabalho.



Neste gráfico podemos observar que 28 inquiridos afirmam que a música possui influência na sua personalidade, 10 responderam que não e apenas 3 pessoas reponderam que talvez possua.



Nota: Este gráfico corresponde apenas é influência positiva, visto que apenas constam 41 respostas. No que diz respeito á influência negativa apenas 1 pessoa respondeu que a musica possui influência no seu comportamento.




Neste gráfico podemos observar que o estilo musical mais escolhido foi o Pop, seguido do Rock e da música Clássica. Nesta pergunta a resposta variou bastante: as pessoas mais velhas tenderam a escolher estilos de música mais clássicos (Rock, Metal, Clássica/Opera, Fado, Jazz/Blue), enquanto que, as mais novas escolheram estilos mais actuais (Pop, também o Rock, Hip-Hop, Reggae, Samba).




Neste gráfico podemos observar que todos os inquiridos responderam que a musica pode, ou talvez possa ter fins educacionais, sendo que nenhum respondeu que não pode ter fins educacionais.




Neste último gráfico observamos que quase 100% dos inquiridos afirma que a música pode ter fins terapêuticos. A maioria dos inquiridos respondeu que a musica ajuda em casos de depressão e ansiedade, que ajuda a relaxar, e ainda que ajuda no tratamento de doenças e de outros problemas.

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